Derramamento Do Espirito Santo No Pentecostes

O Pentecostes:

Estudo sobre o derramamento do Espirito Santo no pentecostes (Ato 2.1-47) 

Lucas é o evangelista que mais enfatiza a obra do Espírito Santo na vida de Jesus e da igreja. O mesmo Espírito que desceu sobre Jesus no Jordão, guiou-o no deserto e revestiu-o com poder para salvar, libertar e curar (Lc 3.21,22; 4.1,14,18) agora vem sobre os discípulos de Jesus (At 1.5,8; 2.33). Nos capítulos iniciais de Atos, Lucas refere-­se à promessa, à dádiva, ao batismo, ao poder e à plenitude do Espírito na experiência do povo de Deus.

O Pentecostes não foi um acontecimento casual, mas uma agenda estabelecida por Deus desde a eternidade. Como o Calvário, o Pentecostes foi um acontecimento único e irrepetível.

O Espírito Santo foi enviado a fim de estar para sempre com a igreja.

Temos outros derramamentos do Espírito registrado em Atos e no decurso da história, mas todos eles decorreram deste Pentecostes. Concordo com John Stott quando diz que devemos cuidar para não diminuir nossas expectativas ou relegar à categoria do excepcional aquilo que Deus talvez queira que seja a experiência normal da igreja. O vento e o fogo eram extraordinários, e provavelmente também as línguas; mas a nova vida e a alegria, a comunhão e o culto, a liberdade e o poder, não. Destacamos no capítulo 2 de Atos quatro pontos importantes: a descida do Espírito, o fenômeno das línguas, o sermão de Pedro e a vida da igreja.

Derramamento do Espirito Santo no pentecostes (2.1-4)

Cristo subiu, e o Espírito Santo desceu. O Cristo ressurreto ascendeu aos céus e enviou o Espírito a fim de habitar para sempre com a igreja.

Destacamos aqui alguns pontos importantes.

Em primeiro lugar, o significado do Pentecostes (2.1a). Ao cumprir-se o dia de Pentecostes… A palavra pentecoste significa o quinquagésimo dia. Pentecostes era a festa que acontecia cinquenta dias após o sábado da semana da Páscoa (Lv 23.15,16), portanto era o primeiro dia da semana. E também chamado de Festa das Semanas (Dt 16.10), Festa da Colheita (Êx 23.16) e Festa das Primícias (Nm 28.26). Cristo ressuscitou como as primícias dos que dormem e durante quarenta dias deu provas incontestáveis de sua ressurreição com várias aparições a seus discípulos. Dez dias após sua ascensão, o Espírito Santo foi derramado no Pentecostes. John Wesley afirma que, no Pentecostes do Sinai no Antigo Testamento e no Pentecostes de Jerusalém

No novo testamento aconteceram duas grandes manifestações de Deus, a legal e a evangélica; uma da montanha e a outra do céu; a primeira terrível, e a segunda, misericordiosa.68

Em segundo lugar, a espera do Pentecostes (2.1b). … estavam todos reunidos no mesmo lugar. Os 120 discípulos estavam congregados no cenáculo em unânime e perse­verante oração, quando, de repente, o Espírito Santo foi derramado sobre eles. Estribados na promessa do Pai anunciada por Jesus, havia no coração deles a expectativa do revestimento de poder. Todos estavam no mesmo lugar, com o mesmo propósito, buscando o mesmo revestimento do Espírito.

Em terceiro lugar, o derramamento do Espírito no Pentecostes (2.2-4). O historiador Lucas registra a descida do Espírito com as seguintes palavras:

De repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem (2.2-4)

O derramamento do Espírito Santo foi um fenômeno celestial. Não foi algo produzido, ensaiado, fabricado. Aconteceu algo verdadeiramente do céu. Foi incontestável e irresistível. Foi soberano, ninguém pôde produzi-lo. Foi eficaz, ninguém pôde desfazer os seus resultados. Foi definitivo, ele veio para ficar para sempre com a igreja. Aquilo que aqui se denomina ficar cheio, também é chamado de batismo (1.5; 11.16), derramamento (2.17,18; 10.45) e recebimento (10.47).69 William MacDonald diz que a vinda do Espírito envolveu um som para ouvir, um cenário para ver e um milagre para experimentar.70 Atos 2. 1  informa-nos que todos estavam reunidos no mesmo lugar. O termo todos, que aparece mais uma vez no versículo 4, deve ser entendido no sentido de que não só os doze estão presentes, mas também as mulheres e os outros discípulos mencionados em 1.13-15. Foi sobre todos esses, e não só sobre os doze, que o Espírito desceu.71 Três fatos nos chamam a atenção.

Primeiro, o derramamento do Espírito veio como um som

Não foi barulho, algazarra, falta de ordem, histeria, mas um som do céu. A palavra grega echos, usada aqui, é a mesma usada em Lucas 21.25 para descrever o estrondo do mar.72 O derramamento do Espírito foi um acontecimento audível, verificável, público, reverberando sua influência na sociedade. Esse impacto atraiu grande multidão para ouvir a Palavra.

Segundo, o derramamento do Espírito veio como um vento

O vento é símbolo do Espírito Santo (Ez 37.9,14; Jo 3.8). O Espírito veio em forma de vento para mostrar sua soberania, liberdade e inescrutabilidade. Assim como o vento é livre, o Espírito sopra onde quer, da forma que quer, em quem quer. O Espírito sopra onde jamais soprarí­amos e deixa de soprar onde gostaríamos que ele soprasse. Como o vento, o Espírito é soberano; ele sopra irresisti­velmente. O chamado de Deus é irresistível, e sua graça é eficaz. O Espírito sopra no templo, na rua, no hospital, no campo, na cidade, nos ermos da terra e nos antros do peca­do. Quando ele sopra, ninguém pode detê-lo. Os homens podem até medir a velocidade do vento, mas não podem mudar o seu curso. Como o vento, o Espírito também é misterioso; ninguém sabe donde vem nem para onde vai. Seu curso é livre e soberano. Deus não se submete à agenda dos homens nem se deixa domesticar.

Terceiro, o derramamento do Espírito veio em línguas como de fogo (2.3). O fogo também é símbolo do Espírito Santo. Deus se manifestou a Moisés na sarça em que o fogo ardia e não se consumia (Ex 3.2). Quando Salomão consa­grou o templo ao Senhor, desceu fogo do céu (2Cr 7.1). No Carmelo, Elias orou, e fogo desceu (lRs 18.38,39). Deus é fogo. Sua Palavra é fogo. Ele faz dos seus ministros laba­redas de fogo. Jesus batiza com fogo, e o Espírito desceu em línguas como de fogo. O fogo ilumina, purifica, aquece e alastra. Jesus veio para lançar fogo sobre a terra. Hoje, muitas vezes, a igreja está fria. Parece mais uma geladeira a conservar intacto seu religiosismo do que uma fogueira a inflamar corações. Muitos crentes parecem mais uma barra de gelo do que uma labareda de fogo. Certa feita alguém perguntou a Dwight Moody: “Como podemos experi­mentar um reavivamento na igreja?”. O grande avivalista respondeu: “Acenda uma fogueira no púlpito”. Quando gravetos secos pegam fogo, até lenha verde começa a arder. John Wesley disse: “Ponha fogo no seu sermão, ou ponha o seu sermão no fogo”.

Matthew Henry diz que o fogo foi dado como sinal de cumprimento da predição de João Batista relativa a Jesus: Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo (Mt 3.11), ou seja, com o Espírito Santo, como fogo. Os discípulos estavam na Festa de Pentecostes celebrando o recebimento da lei no monte Sinai. A lei foi dada em fogo, por isso foi chamada “lei de fogo” como o evangelho é chamado “evangelho de fogo”. A missão de Ezequiel foi confirmada por uma visão de brasas de fogo ardente (Ez 1.13), e a de Isaías, por uma visão de brasa viva que lhe tocou os lábios (Is 6.6,7). O Espírito, como o fogo, derrete o coração, separa e queima a escória, e acende sentimentos santos e devotos na alma. É na alma, como o fogo que está sobre o altar, que são oferecidos os sacrifícios espirituais. Este é o fogo que Jesus veio lançar na terra (Lc 12.49).73

Quarto, o derramamento do Espírito traz uma experiência pessoal de enchimento do Espírito Santo (2.4). Aqueles discípulos já eram salvos. Por três vezes Jesus havia deixado isso claro (Jo 13.10; 13.3; 17.12). De acordo com a teologia de Paulo, se eles já eram já salvos, já tinham o Espírito Santo, pois o apóstolo escreveu: […] Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele (Rm 8.9). Jesus disse: Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino (Jo 3.3). Além de já terem o Espírito Santo, após sua ressurreição Jesus ainda soprou sobre eles o Espírito Santo, e disse: […] Recebei o Espírito Santo (Jo 20.22). Mas a despeito de serem regenerados pelo Espírito e de receberem o sopro do Espírito, eles ainda não estavam cheios do Espírito. Uma coisa é ter o Espírito Santo, outra é o Espírito Santo ter alguém. Uma coisa é ser habitado pelo Espírito, outra é ser cheio dele. Uma coisa é ter o Espírito presente, outra é tê-lo como presidente. Você, que tem o Espírito, está cheio do Espírito?

A experiência da plenitude é pessoal (At 2.3,4). O Espírito desce sobre cada um individualmente. Cada um vive sua própria experiência. Ninguém precisa pedir, como as virgens néscias, azeite emprestado. Todos ficaram cheios do Espírito. Concordo com Matthew Henry quando diz: “Para mim está claro que não só os doze apóstolos, mas todos os 120 discípulos foram igualmente cheios do Espírito Santo nessa ocasião”.74 Logo que eles ficaram cheios do Espírito, começaram a falar as grandezas de Deus (2.11). Sempre que alguém ficou cheio do Espírito no livro de Atos começou a pregar (At 1.8; 2.4,11,14,41; 4.8,29-31; 6.5,8-10; 9.17-22). A plenitude do Espírito nos dá poder para pregar com autoridade. Certa feita, David Hume, o patrono dos agnósticos, foi visto correndo pelas ruas de Londres. Alguém o abordou: “Para onde você vai, com tanta pressa?”. O filósofo respondeu: “Vou ver George Whitefield pregar”. O questionador lhe perguntou, espantado: “Mas você não acredita no que ele prega, acredita?”. Hume respondeu: “Eu não acredito, mas ele acredita!”. Um crente cheio do Espírito prega a Palavra com poder e autoridade.

Matthew Henry diz que eles foram cheios com a graça do Espírito e ficaram, mais do que nunca, sob a sua influência sandficadora. Agora, eles eram santos, espirituais, menos apegados a este mundo e mais familiarizados uns com os outros. Ficaram mais cheios do consolo do Espírito, alegraram-se mais no amor de Jesus e na esperança celestial, e, nisso, todas as suas aflições e medos foram absorvidos. Eles também foram, como prova disso, enchidos com os dons do Espírito Santo, que é o propósito específico do evento narrado neste texto.75

O fenômeno das línguas (2.4-13)

O derramamento do Espírito Santo produziu o fenômeno das línguas. O Pentecostes foi o oposto de Babel. Em Babel as línguas eram ininteligíveis; no Pentecostes, não houve necessidade de interpretação. Em Babel houve dispersão; no Pentecostes, ajuntamento. Babel foi resultado de rebeldia contra Deus; Pentecostes, fruto da oração perseverante a Deus. Em Babel os homens enalteciam seu próprio nome; no Pentecostes, falavam sobre as grandezas de Deus. John Stott escreve: “Em Babel, a terra orgulhosamente tentou subir ao céu, enquanto, em Jerusalém, o céu humildemente desceu à terra”.

Lucas destaca a natureza internacional da multidão poliglota reunida ao redor dos 120 discípulos que foram cheios do Espírito Santo. Eram judeus, homens piedosos e todos estavam habitando em Jerusalém (2.5). Mas eles não tinham nascido naquela cidade: vinham da dispersão, de todas as nações debaixo do céu (2.5).

Destacamos aqui três fatos importantes.

Em primeiro lugar, o milagre das línguas (2.4-7). No Pentecostes Deus rompeu a barreira da língua, e judeus de diversas partes do mundo puderam ouvir os discípulos falando em sua própria língua materna. Essas outras línguas eram dialetos conhecidos e falados pelos judeus que habitavam diversas regiões do Império e estavam em Jerusalém por ocasião da festa. O apóstolo Pedro aborda a questão da glossolalia de Atos e diz que não fora consequência de uma intoxicação ou embriaguez (2.13). Os discípulos não perderam suas funções físicas e mentais. Também não se tratara de um engano ou milagre apenas de audição, e não de fala, de forma que os ouvintes pensassem que os crentes estavam falando em outras línguas, quando não falavam de fato.

A glossolalia de Atos 2 foi um fenômeno tanto de fala como de audição. Não foram sons incoerentes, mas uma habilidade sobrenatural para falar em línguas reconhecíveis. Assim, a expressão outras línguas poderia ser traduzida por “línguas diferentes da sua língua materna”. Os discípulos falaram línguas que ainda não haviam aprendido.77 O termo grego traduzido por língua em Atos 2.6 e 8 é dialektos e refere-se à linguagem ou dialeto de um país ou região (21.40; 22.2; 26.14).78 Concordo com Fritz Rienecker quando ele diz que a escolha feita por Lucas desta palavra dialektos neste trecho indica que o falar noutras línguas era o uso de outros idiomas.79 O fenômeno das línguas ainda é citado mais duas vezes em Atos: Cesareia (10.46) e Éfeso (19.6).

Uma questão levantada pelos estudiosos é: as línguas mencionadas em Atos 2 são da mesma natureza daquelas mencionadas em ICoríntios 12 e 14? Há quem defenda a semelhança. Porém, entendemos que elas são diferentes. Damos a seguir algumas razões.

As línguas em Atos eram pregação, ou seja, os dis­cípulos falavam aos homens; já as línguas em ICoríntios eram oração, ou seja, os crentes falavam a Deus. Desta forma, essas línguas eram diferentes quanto ao seu ende- reçamento.

As línguas em Atos eram entendidas pelos diversos grupos linguísticos de judeus que habitavam Jerusalém, enquanto em ICoríntios as línguas eram ininteligíveis e existia a necessidade de um intérprete para traduzi-las. Consequentemente, elas eram diferentes também quanto ao caráter.

As línguas em Atos foram dadas a um grupo específi­co, num lugar específico, num tempo específico, para evi­denciar a recepção do Espírito; ao passo que em ICoríntios as línguas são um dom espiritual que continua sendo ou­torgado a alguns para edificação própria e para edificação da igreja.80

As línguas em Atos eram dialetos (2.6,8), ou seja, línguas faladas e entendidas pelos vários povos que estavam em Jerusalém, ao passo que em ICoríntios quem falava em línguas proferia mistérios e ninguém podia entender (lCo 14.2).

As línguas em Atos não precisam de intérprete, pois cada um os ouvia falar em sua própria língua, enquanto em lCoríntios até quem fala não entende o que fala, a não ser que tenha também o dom de interpretação (lCo 14.13,14).

As línguas em Atos têm o propósito de proclamar as grandezas de Deus para fora, edificando as outras pessoas, já em lCoríntios, as línguas não deveriam ser usadas em público, a não ser que houvesse intérprete. Era um dom de autoedificação (lCo 12.2,3,19).

As línguas em Atos eram faladas por todos aqueles que estavam cheios do Espírito Santo, enquanto em lCoríntios é um dom espiritual concedido não a todos, mas apenas a alguns (lCo 12.10,30).

As línguas em Atos são profecia, a proclamação das virtudes de Deus aos homens, ao passo que em 1 Coríntios são oração, palavras dos homens a Deus.

As línguas em Atos eram uma evidência de que aqueles homens estavam cheios do Espírito, mas em lCoríntios elas não têm conexão com a plenitude do Espírito. Os crentes da igreja de Corinto falavam em outras línguas, mas eram crentes imaturos e carnais.

As línguas em Atos cessaram; em lCoríntios, por serem um dom espiritual concedido à igreja pelo Espírito Santo, elas continuaram. A última palavra que Paulo tem sobre o assunto é: … e não proibais o falar em outras línguas (lCo 14.39).

Em segundo lugar, a perplexidade da multidão (2.6,7). A multidão foi atraída pelo extraordinário fenômeno do Pentecostes. Algo sobrenatural estava acontecendo, e eles não tinham explicações plausíveis para aquele fato insólito. Vale ressaltar, como diz William Barclay, que a Festa de Pentecostes era tanto ou mais concorrida que a Festa da

Páscoa. Isso explica a quantidade de países mencionados neste capítulo, porque nunca havia em Jerusalém uma multidão mais internacional que nesse momento.81 Marshall comenta sobre essa multidão internacional reu­nida em Jerusalém. Começa com três países ao leste do império romano, na área conhecida como Pérsia ou Irã, e depois, continua para o oeste, para a Mesopotâmia, o Iraque moderno e a Judeia. Seguem-se, então, várias províncias e áreas na Ásia Menor (a moderna Turquia) e, depois, o Egito e área imediatamente a oeste, seguida por Roma.82

Em terceiro lugar, a reação ao milagre das línguas (2.7­13). O derramamento do Espírito prova que os milagres abrem portas para o evangelho, mas não são o próprio evan­gelho. O milagre em si não pôde transformar a multidão, mas a atraiu para ouvir a Palavra de Deus. Quando Pedro começou a pregar, o coração do povo começou a derreter.

Três foram as reações da multidão com respeito ao milagre do Pentecostes:

Preconceito (2.7). Estavam,pois, atônitos e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando? Os galileus eram recebidos em Jerusalém com grande preconceito. Eram pessoas de segunda classe. Os sulistas da Judeia consideravam gentios os nortistas da Galileia . A primeira reação ao Pentecostes foi de profundo preconceito.

Ceticismo (2.12). Todos, atônitos e perplexos, interpela­vam uns aos outros: Que quer isto dizer? O milagre do der­ramamento do Espírito clareou a mente dos discípulos e turvou a mente dos céticos. Estes ficaram atônitos e per­plexos, ansiosos por uma explicação plausível para aquele extraordinário acontecimento.

Zombaria (2.13). Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados! Um grupo dentre a multidão rotulou o fenômeno das línguas como resultado de embriaguez. Confundiram a plenitude do Espírito como o enchimento de vinho.

A pregação poderosa (2.14-41)

O milagre pode atrair a multidão, mas não toca os corações. O milagre abre portas para o evangelho, mas não é o evangelho. Pedro se levantou para pregar uma mensagem eminentemente bíblica. A primeira coisa que Pedro fez foi esclarecer que aquele fenômeno extraordinário não era resultado da embriaguez, mas do cumprimento da profecia de Joel (2.28-32). Os discípulos não estavam dominados pelo vinho, mas cheios do Espírito Santo. A palavra grega gleukos foi usada para descrever o vinho doce, prova­velmente o vinho novo, ainda não envelhecido por tempo suficiente e que está fermentando.83

O profeta havia profetizado que o Espírito seria derramado sobre toda a carne, e isso em termos qualitativos, não quantitativos. O derramamento do Espírito quebraria barreiras e romperia o preconceito sexual (filhos e filhos), etário (jovens e velhos) e social (servos e servas) (2.17,18). A profecia de Joel teve um cumprimento no Pentecostes, mas aponta também para a Parousia (2.19,20). O profeta identifica o derramamento do Espírito como um evento salvador: E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo (2.21).

O padrão e os temas da mensagem pregada por Pedro tornaram-se comuns na igreja primitiva: a) a explanação dos eventos (2.14-21); b) o evangelho de Jesus Cristo — sua morte, ressurreição e exaltação (2.22-36); c) uma exortação para o arrependimento e batismo (2.37-40). Este esboço é similar aos sermões encontrados nos capítulos 2, 10 e 13.84 Cinco verdades devem ser destacadas nessa pregação de Pedro:

Em primeiro lugar, uma pregação cristocêntrica na sua essência. A mensagem de Pedro versou sobre a pessoa de Cristo e sua obra. Cinco pontos podem ser identificados no sermão de Pedro.

A vida de Cristo (2.22). Pedro mostra que Jesus foi aprovado por Deus, vivendo de forma extraordinária e realizando milagres portentosos. Sua vida e sua obra eram realidades conhecidas por todos.

A morte de Cristo (2.23). A cruz não foi um acidente, mas parte do plano eterno de Deus (3.18; 4.28; 13.29). Frank Stagg diz acertadamente que isto não significa que Jesus buscou a morte, ou que o Pai desejou que os homens crucificassem Jesus, mas, sim, que, ao fazer a escolha para redimir os pecadores, foi previsto o quanto isso custaria. A cruz não foi uma derrota para Jesus, mas a sua exaltação. Jesus marchou para a cruz como um rei caminha para a sua coroação. Foi na cruz que Jesus conquistou redenção para nós e desbaratou o inferno. Cristo não foi crucificado porque Judas o traiu, os judeus o entregaram, Pilatos o sentenciou e os soldados o pregaram. Foi crucificado porque Deus o entregou por amor a nós. Ele foi crucificado porque se ofereceu voluntariamente como sacrifício pelo nosso pecado. Foi na cruz que Deus provou da forma mais eloquente seu amor por nós e seu repúdio ao pecado. Na cruz de Cristo, a paz e a justiça se encontraram.

A ressurreição de Cristo (2.24-32). Não adoramos um Cristo morto, mas o Jesus vitorioso que triunfou sobre a morte, derrotou o pecado, desfez as obras do diabo, cumpriu a lei, satisfez a justiça de Deus e nos deu eterna redenção. Pedro cita a profecia de Davi para evidenciar a realidade insofismável da ressurreição de Jesus. Pedro confirma a ressurreição de Cristo fundamentado no Salmo 16.8-11. Davi não poderia estar falando sobre si mesmo quando disse que Deus não o deixaria na morte nem permitiría que o seu Santo visse corrupção (2.27), pois Davi morreu e foi sepultado, e seu túmulo ainda estava em Jerusalém (2.29). Obviamente, Davi se referia ao seu descendente, ou seja, estava fazendo referência à ressurreição de Cristo (2.30,31). Warren Wiersbe diz que Pedro deu quatro provas da ressurreição de Cristo: a) a pessoa de Jesus Cristo (2.22­24); b) a profecia de Davi (2.23-31); c) o testemunho dos cristãos (2.33); d) a presença do Espírito Santo (2.33-33).86

A exaltação de Cristo (2.33-35). Ao consumar sua obra aqui no mundo, Jesus ressuscitou em glória e comissionou seus discípulos a pregar o evangelho em todo o mundo, a toda a criatura. Depois, voltou para o céu, entrou na glória, foi recebido apoteoticamente pelos anjos e assentou-se à destra do Pai, para governar a igreja, intercedendo em seu favor e revestindo-a com o poder do seu Espírito. Jesus reina. Ele está no trono do universo e ele voltará gloriosamente.

O senhorio de Cristo (2.36). Jesus é o Senhor do universo, da história e da igreja. Diante dele todo joelho deve dobrar-se nos céus, na terra e debaixo da terra. Ele reina e todas as coisas estão debaixo dos seus pés. O Espírito Santo veio para exaltar Jesus. O ministério do Espírito Santo é um ministério de holofote, ou seja, de exaltação a Jesus (Jo 16.13,14). O Espírito não lança luz sobre si mesmo. Ele não fala de si mesmo. Ele não exalta a si mesmo. Ele projeta sua luz na direção de Jesus para exaltá-lo.

Em segundo lugar, uma pregação eficaz quanto ao seu propósito (2.37). A pregação de Pedro explodiu como di­namite no coração da multidão. Produziu uma compul­são na alma. Foi um sermão penetrante. O termo grego akousantes significa ferir, dar uma forte ferroada. Era usado para descrever emoções dolorosas, que penetram o coração como um aguilhão.87 Pedro não pregou para agradar nem para entreter. Ele foi direto ao ponto. Pôs o dedo na ferida. Não pregou diante do auditório, mas ao auditório. Pedro disse ao povo que, embora a cruz tivesse sido planejada por Deus desde a eternidade, eles eram responsáveis pela morte de Cristo. O apóstolo sentenciou: … vós o matastes, crucifi­cando-o por mãos de iníquos (2.23). A pregação precisa ser direta, confrontadora. Ela precisa gerar a agonia do arre­pendimento. A pregação de Pedro produziu na multidão profunda convicção de pecado. Hoje, há pouca convicção de pecado na igreja. Estamos insensíveis demais, com os olhos enxutos demais e o coração duro demais.

Em terceiro lugar, uma pregação clara em suas exigências (2.38). Antes de falar sobre perdão, Pedro falou sobre culpa. Antes de falar sobre cura, ele revelou à multidão a sua doença. Antes de falar sobre redenção, falou sobre pecado. Antes de falar sobre salvação, mostrou que eles estavam perdidos em seus pecados. Antes de pregar o evangelho, mostrou-lhes a lei. Não há salvação sem arrependimento. Ninguém entra no céu sem antes saber que é um pecador. Pedro se dirigiu a um grupo extremamente religioso, pois todo aquele povo tinha ido a Jerusalém para uma festa religiosa; mas, a despeito dessa religiosidade, eles precisavam arrepender- se para serem salvos. Hoje, a pregação do arrependimento está desaparecendo dos púlpitos. Precisamos arrepender- nos da nossa falta de arrependimento. O brado de Deus  que emana das Escrituras ainda é: Arrependei-vos! Esta foi a ênfase de João Batista, de Jesus e dos apóstolos.

Vemos hoje uma mudança desastrosa na pregação. Tem-se pregado muito sobre libertação e quase nada so­bre arrependimento. Os pregadores berram dos púlpitos, dizendo que as pessoas estão com encosto, mau-olhado e espírito maligno. Dizem que elas precisam ser libertadas. Mas essa pregação é incompleta, pois, ainda que as pessoas estejam realmente possessas e sejam libertadas dessa pos­sessão, o seu problema não está de todo resolvido, pois a Bíblia diz que todos pecaram e carecem da glória de Deus. O ser humano é culpado diante de Deus e, por isso, precisa arrepender-se. Precisa colocar a boca no pó e depor as suas armas. Sem arrependimento, o mais virtuoso ser humano não pode ser salvo. O pecado não é tanto uma questão do que fazemos, mas de quem somos. O homem não é peca­dor porque peca; ele peca porque é pecador. Nossa nature­za é pecaminosa. Nosso coração não é bom como pensava Jean Jacques Rousseau, mas corrupto; não é neutro como acreditava John Locke, mas inclinado para o mal.

Em quarto lugar, uma pregação específica quanto à pro­messa (2.38-40). Duas promessas são feitas ao arrependido, uma relacionada ao passado e outra ao futuro: remissão de pecados e dom do Espírito Santo. Depois que somos salvos, então podemos ser cheios do Espírito. Primeiro o povo se volta para Deus de todo o coração, com choro, jejum e coração rasgado; depois o Espírito é derramado.

Em quinto lugar, uma pregação vitoriosa quanto aos re­sultados (2.41). Quando há poder na pregação, vidas são salvas. A pregação de Pedro não apenas produziu conver­sões abundantes, mas também frutos permanentes. Eles não somente nasceram na graça de Jesus, mas também nela cresceram (At 2.42-47). Ao serem convertidos, eles foram batizados, integraram-se na igreja e perseveraram. Criaram raízes. Amadureceram. Fizeram outros discípulos, e a igreja tornou-se irresistível. Hoje é difícil manter atualizado o rol de membros de uma igreja. As pessoas entram pela porta da frente e, ao sinal da primeira crise, buscam uma fuga pela porta dos fundos. Bebericam em várias fontes, bus­cam alimento em diversos pastos, colocam-se sob o cajado de diversos pastores. Tornam-se ovelhas errantes, sem redil, sem referência, sem raízes.

Ao concluir essa exposição sobre o sermão de Pedro, John Stott destaca que Pedro enfocou a pessoa de Cristo, contando sua história em seis estágios:

Ele era um homem, mas sua divindade era reconhecida pelos seus milagres;

Ele foi morto por mãos iníquas, mas segundo o propósito de Deus;

Ele ressurgiu dos mortos, como previram os profetas e testemunharam os apóstolos;

Ele foi elevado à destra de Deus e de lá derramou o seu Espírito;

Ele oferece o perdão e o Espírito a todos os que se arrependem, creem e são batizados;

Ele os acrescenta à sua nova comunidade.

A vida da igreja cheia do Espírito Santo (Atos 2.42-47)

A igreja de Jerusalém conjugava doutrina e vida, credo e conduta, palavra e poder, qualidade e quantidade. Hoje vemos igrejas que revelam grandes desequilíbrios. As igrejas que zelam pela doutrina não celebram com entusiasmo. As igrejas ativas na ação social desprezam a oração. Aquelas que mais crescem em número mercadejam a verdade. Ao contrário disso, a igreja de Jerusalém era unificada (2.44), exaltada (2.47a) e multiplicada (2.47b).

Quais são as marcas de uma igreja cheia do Espírito Santo?

Em primeiro lugar, uma igreja cheia do Espírito é comprometida com a fidelidade à Palavra de Deus (2.42). A igreja de Jerusalém nasceu sob a égide da verdade. A igreja começou com o derramamento do Espírito, a pregação cristocêntrica e a permanência dos novos crentes na doutrina dos apóstolos. A doutrina dos apóstolos é o inspirado ensino pregado oralmente naquele tempo, e agora preservado no Novo Testamento. Stott diz que o Espírito Santo abriu uma escola em Jerusalém; seus professores eram os apóstolos que Jesus escolhera; e havia 3 mil alunos no jardim da infância. A igreja apostólica era uma igreja que aprendia. Com isso, deduzimos que o anti- intelectualismo e a plenitude do Espírito são incompatíveis, pois o Espírito Santo é o Espírito da verdade. O Espírito de Deus leva o povo de Deus a submeter-se à Palavra de Deus.90 Justo Gonzalez destaca que o perseverar no ensino dos apóstolos não quer só dizer que o povo não se desviou das doutrinas apostólicas ou permaneceu ortodoxo. Quer dizer também que eles perseveraram na prática de aprender com os apóstolos — que eram alunos, ou discípulos, ávidos por conhecimento sob o comando dos mestres.91

Ao longo da história houve muitos desvios da verdade: às heresias da Idade Média; a ortodoxia sem piedade; o Pietismo — piedade sem ortodoxia; os quacres — o importante é a luz interior; o movimento liberal — a razão acima da revelação; e o movimento neopentecostal — a experiência acima da revelação.

Deus tem um compromisso com a Palavra. Ele tem zelo pela Palavra. Uma igreja fiel não pode mercadejar a Palavra.

Em segundo lugar, uma igreja cheia do Espírito é perse­verante na oração (2.42). Uma igreja cheia do Espírito ora com fervor e constância. A igreja de Jerusalém não apenas possuia uma boa teologia da oração, mas efetivamente ora­va. Ela dependia mais de Deus do que dos próprios recur­sos: Atos 1.14 — Todos unânimes perseveravam em oração; Atos 3.1 – Os líderes da igreja vão orar às 3 horas da tarde; Atos 4.31 – A igreja sob perseguição ora, o lugar treme e o Espírito desce; Atos 6.4 – A liderança entende que a sua maior prioridade é oração e a Palavra; Atos 9.11 – O primeiro sinal que Deus deu a Ananias sobre a conversão de Paulo é que ele estava orando; Atos 12.5 – Pedro está preso, mas há oração incessante da igreja em seu favor e ele é miraculosamente libertado; Atos 13.1-3 – A igreja de Antioquia ora e Deus abre as portas das missões mundiais; Atos 16.25 — Paulo e Silas oram na prisão e Deus abre as portas da Europa para o evangelho; Atos 20.36 – Paulo ora com os presbíteros da igreja de Efeso na praia; Atos 28.8,9 – Paulo ora pelos enfermos da ilha de Malta e os cura.

Em terceiro lugar, uma igreja cheia do Espírito tem uma profunda comunhão (2.42,44-46). Em uma igreja cheia do Espírito os irmãos se amam profundamente. Na igreja de Jerusalém os irmãos gostavam de estar juntos (2.44). Eles partilhavam seus bens (2.45). Eles apreciavam estar no templo (2.46) e também nos lares (2.46b). Havia um só coração e uma só alma. Onde desce o óleo do Espírito, aí há união entre os irmãos; aí ordena o Senhor a sua bênção e a vida para sempre (SI 133). Os crentes eram sensíveis para ajudar os necessitados (2.44,45). Eles converteram o coração e o bolso. Tinham desapego dos bens e apego às pessoas. Encarnaram a graça da contribuição. Concordo com Stott quando ele diz que a comunhão cristã e o cuidado cristão é compartilhamento cristão.92 Justo González enfatiza que o partir do pão não significa apenas que eles comiam junto. Refere-se à celebração da comunhão, que desde o início e por muitos séculos, é o centro da adoração cristã.

Em quarto lugar, uma igreja cheia do Espírito adora a Deus com entusiasmo (2.47). Uma igreja cheia do Espírito canta com fervor e louva a Deus com entusiasmo. O culto era um deleite. Eles amavam a casa de Deus. Uma igreja viva tem alegria de estar na casa de Deus para adorar. A comunhão no templo é uma das marcas da igreja ao longo dos séculos. O louvor da igreja era constante. Uma igreja alegre canta. Os muçulmanos têm mais de um bilhão de adeptos no mundo, mas eles não cantam. Uma igreja viva tem um louvor fervoroso, contagiante, restaurador, sincero, verdadeiro. O louvor que agrada a Deus tem origem no próprio Deus, tem como propósito exaltá-lo e tem como resultado quebrantamento dos corações. O culto verdadeiro produz reverência e alegria, pois, se a alegria do Senhor for obra do Espírito, o temor do Senhor também será autêntico.

Em quinto lugar, uma igreja cheia do Espírito teme a Deus e experimenta os seus milagres (2.43). Uma igreja cheia do Espírito é formada por um povo cheio de reverência. Ela tem compreensão da santidade de Deus. Ela se curva diante da majestade de Deus. Hoje as pessoas estão acostumadas com o sagrado. Há uma banalização do sagrado. Há saturação, comercialização e paganização das coisas de Deus. Quem conhece a santidade de Deus não brinca com as coisas de dele.

A igreja de Jerusalém era reverente e também receptiva ao agir soberano de Deus. Tinha a agenda aberta para as soberanas intervenções do Senhor. Acreditava nos milagres de Deus. A manifestação extraordinária de Deus estava presente na vida da igreja: Atos 3 — 0 paralítico é curado; Atos 4.31 — O lugar onde a igreja ora, treme; Atos 5.12,15 — Muitos sinais e prodígios são efetuados; Atos 8.6 — Filipe realiza sinais em Samaria; Atos 9 — A conversão de Saulo é seguida da sua cura; Atos 12 — Pedro é libertado pelo anjo do Senhor; Atos 16.26 – Ocorre um terremoto em Filipos; Atos 19.11- Pelas mãos de Paulo, Deus fazia milagres; Atos 28.8,9 – Deus cura os enfermos de Malta pela oração de Paulo. Hoje há dois extremos na igreja: aqueles que negam os milagres e aqueles que os inventam.

Em sexto lugar, uma igreja cheia do Espírito tem a simpatia dos homens e a bênção do crescimento numérico por parte de Deus (2.47). Essa igreja é simpática e amável. Ela é sal e luz. E boca de Deus e monumento da graça. Essa igreja tem qualidade e também quantidade. Cresce para o alto e também para os lados. Mostra vida e também números. A igreja de Jerusalém produziu impacto na sociedade por causa de seu estilo de vida. Era uma igreja comprometida com a verdade, mas não legalista; era uma igreja santa, mas não farisaica; era uma igreja piedosa, mas não com santorronice. Os crentes eram alegres, festivos, íntegros. Eles contagiavam. O estilo de vida da igreja impactava a sociedade: melhores maridos, esposas, filhos, pais, estudantes, profissionais. O resultado da qualidade é a quantidade. Deus mesmo acrescentava a essa igreja, dia a dia, os que iam sendo salvos.

Temos hoje dois extremos: numerolatria e numerofo- bia. Precisamos entender que qualidade gera quantidade. A igreja crescia em números. A igreja crescia diariamente por adição de vidas salvas e por ação divina. Vejamos o cresci­mento da igreja:

Atos 1.15: 120 membros;Derramamento Do Espirito Santo No Pentecostes

Atos 2.41: três 3 mil membros.

Atos 4.4: cinco 5 mil membros.

Atos 5.14: Uma multidão é agregada à igreja.

Atos 6.7: O número dos discípulos é multiplicado.

Atos 9.31: A igreja se expande para a Judeia, Galileia e Samaria.

Atos 16.5: Igrejas são estabelecidas e fortalecidas no mundo inteiro.

 

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